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As últimas do Concurso do BB...

Marco Aurélio Gomes      sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

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As últimas do Concurso do BB...

 

O que essas notícias que estão circulando sobre o Concurso do BB querem dizer?

Você, assim como eu, deve ter recebido uma penca de notícias sobre a decisão judicial, determinando que o BB tem que realizar concurso público, para suprir os cargos de nível superior de seu quadro (engenheiros, arquitetos, advogados, etc)... principalmente notícias dos cursos preparatórios para o concurso do Banco do Brasil e, claro, já aproveitando para inflar a expectativa de novo edital para escriturário.

Bom, vamos dar uma olhada nisso mais de perto...

Eu realmente desconheço a origem dessa ação, mas certamente ela deve ter sido iniciada por partes interessadas.

Isto não importa, o que importa é a determinação judicial e as suas implicações.

Deixa eu voltar um pouco... durante os mais de 35 anos que trabalhei no banco, e mesmo antes de eu entrar, os cargos de nível superior sempre foram supridos com funcionários de carreira do banco, e nunca ninguém questionou esse processo... então já tem coisa errada aí... porque só agora, depois de mais de 200 anos é que a justiça resolveu intervir?

Segundo ponto... algumas notícias veiculadas dão a impressão de que esses cargos de nível superior são ocupados por escriturários (de nível médio) “sem o nível de especialidade e formação exigida...” para exercer funções de maior complexidade.

Aí mais um erro... o BB não é um boteco da esquina, e não iria nomear funcionários desqualificados para funções da importância exigida para os advogados (que defendem os interesses do banco), ou engenheiros e arquitetos (que fazem perícias, plantas e constroem os prédios do banco), e outros profissionais que desempenham suas especialidades... claro que todos esses funcionários nomeados são graduados (muitos pós graduados, mestres e doutores).

Você não vai encontrar nenhum profissional do banco que exerça funções e tenha atividades que exijam graduação, que não tenha a formação superior exigida.

Outra questão que é apontada na sentença, é a falta de objetividade na nomeação para os cargos (sem concurso), e a possibilidade de retirar o funcionário da função de nível superior, da mesma forma que é nomeado: sem critério objetivo... ou seja, pode nomear e desnomear (existe isto?), ao bel prazer do administrador que comanda a área.

Isto é verdadeiro... não existe critérios claros para a nomeação de cargos de nível superior, nem para retirada do cargo... até existem seleções internas, em determinados momentos, mas não é institucional.

O comissionamento (nomeação) é feito pela vontade de quem nomeia, e o descomissionamento também, embora eu não tenha conhecimento (pode até existir, mas nunca fiquei sabendo), de que algum funcionário tenha perdido o cargo/função de nível superior... tenha sido destituído do cargo, apenas pela vontade do seu chefe.

Feitas essas considerações sobre a vida real lá dentro do BB (e não acredito que os representantes da justiça tenham esta vivência ou conhecimento), vamos aos efeitos práticos da sentença.

A partir da publicação do Acórdão, o banco está proibido de nomear funcionários da carreira administrativa, para os cargos de nível superior (veja que não são só os escriturários... na verdade praticamente nunca são os escriturários que são nomeados... normalmente o funcionário já cresceu, e exerce algum cargo comissionado antes de ser nomeado para um cargo de nível superior), voltando... proibido de nomear seus próprios funcionários para os cargos de nível superior, e tem 2 anos para realizar concurso para provimento desses cargos.

E o que o banco vai fazer?

Sinceramente não sei... o banco divulgou nota informando que iria “aguardar a publicação do Acórdão para adotar as providências processuais legalmente cabíveis”.

O banco certamente vai cumprir a decisão judicial (diferentemente de muitas autoridades nacionais), porque se tem uma coisa que sempre ouvi dentro do banco foi: decisão judicial não é prá ser discutida, é prá ser cumprida.

Agora, em que termos será cumprida?

É aí que mora minha dúvida... não acredito que o banco vá recrutar todos os funcionários de nível superior através de concurso. Pode até abrir concurso, mas serão para pouquíssimas vagas (apenas para cumprir a decisão judicial).

Sim, mas e as vagas que forem surgindo, como o banco vai suprir?

Existem uma série de artifícios que o banco pode lançar mão... o que me vem na cabeça, é o de utilizar os funcionários que já exercem esses cargos de nível superior como representantes oficiais perante os intervenientes externos, e nomear funcionários da carreira administrativa como assessores, ou analistas que, mesmo com a formação no nível superior exigido, o cargo/função não traduza a necessidade da formação.

Ou seja, pego um funcionário que é advogado, nomeio ele como assessor de qualquer coisa, e coloco ele prá trabalhar no jurídico do banco... ele faz toda a papelada, os processos, enfim... e quem assina é o cara que já é advogado do banco.

É muito comum o banco alterar o seu plano de cargos e funções, de acordo com a sua necessidade... então coloca um nome bonito prá quem já é um funcionário nomeado, ganhando uns trocos a mais, e coloca outro funcionário da carreira administrativa com formação superior, com um salario um pouco mais baixo... e continua tudo como dantes no reino do BB.

Outra coisa que não podemos esquecer, é que muitos que querem entrar no banco como escriturário, que hoje é praticamente a única porta de entrada, estão na verdade de olho nesses cargos de nível superior, que até a decisão judicial, era a única forma de se tornar advogado ou engenheiro do banco.

E não tenha nenhuma dúvida: o concurso para escriturário é muito mais fácil de passar, do que um concurso para suprir vagas de nível superior.

Bom, essa é a minha humilde opinião... pode ser que eu esteja redondamente enganado com o que está por vir, mas é um exercício real, não é imaginação não... vamos aguardar o posicionamento do banco.

Além disso tudo, as notícias (principalmente dos cursinhos) nos traz a outro ponto... veja, os cursos preparatórios existem para vender os seus cursos (nada contra), e para isto eles tem que manter acesa a chama da esperança nos interessados, então eles não podem perder uma oportunidade como esta, prá dizer que “possivelmente haverá concurso no próximo ano” ou que “o BB está obrigado a realizar concurso nos próximos 2 anos”... tudo balela... abobrinha... conversa para boi dormir.

O banco não está obrigado a fazer concurso para escriturário, ponto... a sentença não diz nada disso.

Calma...eu sei que é uma ducha de água fria nas suas expectativas, mas é isto mesmo: não existe essa obrigatoriedade.

Pô Marco, mas você não vende curso preparatório também?

Sim, vendo sim... mas não vivo disso.

E se você acompanha os artigos que escrevo, certamente já percebeu que não escrevo prá vender curso (e mesmo assim continuo vendendo)... e se não me conhece, dá uma olhada aqui no Blog ou na Fanpage do curso.

Você vai ver que ando sumido... e estou sumido porque não adianta ficar enchendo o blog de más notícias (e elas aparecem a toda a hora)... não quero ficar botando vocês prá baixo o tempo todo... tem que deixar uma chaminha de esperança, se não daqui a pouco ninguém mais vai querer fazer o concurso do BB.

Voltando... não há nenhuma obrigatoriedade de o banco realizar um novo concurso para escriturário... nem expectativa... nem previsão.

Normalmente eu deixo um lapso de 6 meses a 1 ano de expectativa de um novo edital, mas neste momento (levando em conta o cenário econômico e político, e a proximidade da eleição do ano que vem), não há nenhuma indicação de novo edital em 2018.

Além do cenário, os boatos estão bem fortes sobre a continuidade da reestruturação que começou lá no finalzinho de 2016, com medidas bem duras já no começo do próximo ano... não vou entrar em detalhes, até porque já falei exaustivamente sobre isso em artigos anteriores... o que dá prá dizer é que nem tudo que estava previsto foi efetivado, antão algumas das medidas previstas e ainda não adotadas, devem acontecer nos próximos meses.

Deve ter um PDV, ou um PAI, meio que colocando o pessoal que está aposentado pelo INSS na parede (tipo: você é comissionado, e está aposentado, certo? Se não sair no PAI, o banco não vai precisar mais de você no seu cargo atual... se decidir ficar, volta a ser escriturário).

Não necessariamente com essas palavras, mas com essa intenção... e o pior é que o banco pode fazer isso, sem infringir nenhuma lei ou norma interna.

O banco não pode obrigar ninguém a sair, mas pode escolher quem são os seus comissionados.

Com a proximidade de uma possível aprovação da reforma da previdência , com esse “incentivo”, mais a falta de motivação de muitos funcionários, é capaz de sair muita gente.

Fala-se também na terceirização de muitas atividades de BackOffice, como caixas, tesouraria e tal... é praticamente certo que alguma coisa virá neste sentido.

Outra coisa que está rolando na radio peão, é a centralização administrativa e de gestão das agências.

O que isto quer dizer?

 

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Se você tem ido a agências em cidade maiores, vai perceber que o número de funcionários está encolhendo... dia desses, uma amiga falou que se assustou quando entrou numa agência que fazia tempo que não ia... “fazia eco dentro da agência quando a gente falava”... e é verdade... fui lá conferir, e é verdade. Fui conversar com o gerente, que é meu conhecido, e fiquei assustado enquanto ia até a mesa dele... uma agência que tinha uns 30 funcionários, agora tinha uns 10 ou 12... e fazia eco lá dentro mesmo, de tão vazia que estava (ainda não estava aberta ao público).

Lá tinha uns 6 gerentes de relacionamento (gerente de contas), e agora só tem um... e os outros?

Alguns foram para os escritórios digitais e outros viraram escriturários (assim como alguns gerentes gerais, que não conseguiram se manter nos cargos).

Diante dessa situação de esvaziamento (que vai continuar acontecendo), nada impede que um gerente geral possa administrar umas 4 ou 5 agências ao mesmo tempo... é a tal centralização administrativa e de gestão das agências.

O que se diz é que muitas agências (como conhecemos hoje), se tornarão agências de fluxo... ou seja, agências só de atendimento do povão... os clientes (aqueles que interessam ao banco) serão atendidos remotamente pelos gerentes de relacionamento, via agências digitais, assim como os clientes PJ (empresas), que interessam... todos os demais seriam atendidos nessas agências de fluxo, com um gerente de serviço, alguns escriturários e um gerente geral itinerante.

Ainda tem o burburinho da continuidade do fechamento de agências, que também não é de se duvidar.

Então, se por um lado o banco pretende enxugar seu quadro via PDV/PAI, por outro lado, muitos funcionários vão perder seus cargos a até seu local de trabalho, e aqueles que decidirem não sair, vão ter que procurar outro lugar ou cargo prá continuar trabalhando.

E este é um processo que vai durar pelo menos 2018 inteiro... e aí vem um novo presidente, novos governadores, congresso quase todo renovado... e só deus sabe o que vai sair dessa eleição... pode ser que a situação seja acomodada, mas pode também ser que a coisa degringole de vez.

Por todas essas especulações é que não acredito em um novo edital... nem prá escriturário, nem prá nível superior no próximo ano.

Vamos ter que continuar aguardando...

E prá terminar com chave de ouro, queria deixar uma reflexão prá você que quer fazer o concurso do BB:

Tente imaginar como serão os bancos daqui a 30 ou 40 anos... tentou?

Difícil né???

É difícil, mas pode ter certeza que não será nem perto o que são hoje, por conta da evolução e inovação tecnológica, que deve mudar significativa nossas vidas, e também a das empresas... dentre elas, os bancos.

O que eu enxergo mais ou menos é que o emprego no banco continuará cada vez mais um trampolim transitório para outros empregos... é bem possível que ainda existam bancário no ano 2050, mas não serão bancários como os de hoje.

É isto... chega!

Eu tinha iniciado este artigo prá desejar ao pessoal que segue o blog, um feliz natal e um ano novo próspero... e deu nisto.

Fazer o que...

Então, um Feliz Natal prá você e prá todos que você ama... e que 2018 nos traga paz, tranquilidade e saúde, para continuarmos tocando a vida, sem ódio nem ressentimentos.

Grande abraço!!!

 


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